terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Você sabia? Jeremy - Pearl Jam


Você sabia que a música Jeremy, do Pearl Jam, é inspirada no suicídio de um adolescente de 16 anos?

Tudo começou através de uma matéria de jornal sobre um garoto de 15 anos, chamado Jeremy Wade Delle, nascido em 10 de Fevereiro de 1975, de Richardson, Texas, EUA, que cometeu suicídio com uma arma de fogo na frente de sua turma de Inglês, na Richardson High School, no dia 8 de Janeiro de 1991.

A letra da música pertence a Eddie Vedder (vocalista da Pearl Jam), enquanto que a música foi composta por Jeff Ament (baixista da banda) 

Em Janeiro de 1991, o vocalista descobre, através de um jornal, que um rapaz cometeu suicídio em frente da turma de Inglês na escola secundária de Richardson, no Texas, para se vingar dos colegas que o torturavam. 
O nome da música vem diretamente do nome da vítima, Jeremy Delle. Os colegas descreveram-no como um rapaz que era muito tímido, sempre com uma aparência triste. No dia fatal, Jeremy depois de chegar atrasado, foi-lhe dito que pedisse uma autorização, necessária nesta escola para estes casos, no gabinete da direção. Quando chegou à sala tinha consigo um revolver 357 Magnum e anunciou “Senhora, já tenho o que realmente queria”, colocou o revolver na boca em frente aos colegas e puxou o gatilho.

O trecho a seguir, presente na música, é bem marcante:

“Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today”

Na tradução: "Jeremy falou na sala hoje."

Ou seja, após tanto tempo em silêncio, ele se manifestou, ao menos uma vez, mas não do jeito que as pessoas esperavam: tirando a própria vida.

Eddie Vedder, em declarações à Rockline Interview, em 1993, explicou ser difícil que coisas como esta aconteçam e tudo fique na mesma: “Você comete suicídio como forma de vingança e tudo o que acaba por conseguir é um mero parágrafo de jornal (…) nada muda. O mundo continua e você se foi." Conta ainda que a música não é só sobre suicídio mas também sobre a falta de atenção de alguns pais para com os problemas dos filhos, logo, a inspiração para escrever as estrofes da música, que nada têm relacionado com a vida real do garoto Jeremy:

At home, drawing pictures of mountain tops
With him on top, lemon yellow Sun
Arms raised in a V
The dead lay in pools of maroon below

Na tradução:

Em casa, desenhando figuras de topos de montanhas
Com ele no topo, e um sol amarelo limão

Braços erguidos em V
Os mortos jaziam logo abaixo em poças marrons

Apenas narrando uma das coisas que as crianças/adolescentes gostam de fazer: desenhar e deixar a imaginação levar. Não importa o quão difícil as coisas estejam, podemos nos desenhar em qualquer cenário, até mesmo no topo de uma montanha em um dia ensolarado, e enterrar nossos medos e frustrações como bem entendermos.

Daddy didn't give attention
To the fact that mommy didn't care
King Jeremy, the wicked
Oh, ruled his world


Na tradução:

Papai não deu atenção
Para o fato de que a mamãe não se importava
Rei Jeremy, o perverso
Oh, governou seu mundo


Adolescentes problemáticos muitas vezes têm pais ausentes, deixando que os filhos criem o próprio universo, o qual eles não conseguem mais entrar depois que notam algo errado. Mais uma observação de Eddie Vedder quando o assunto é relacionamento pais x filhos.

O restante da letra, eu deixo abaixo, e como poderão ver, ele narra diversas situações que ocorrem dentro das escolas, principalmente, com adolescentes que sofrem bullying por serem quietos demais, diferentes demais, até o dia em que eles reagem para tentar impor respeito e tomam atitudes que impressionam colegas, professores e familiares:

Clearly I remember picking on the boy
Seemed a harmless little fuck
Oh, but we unleashed a lion
Gnashed his teeth and bit the recess lady's breast, how could I forget?

And he hit me with a surprise left
My jaw left hurting, oh, dropped wide open
Just like the day
Oh, like the day I heard


Na tradução:

Me lembro claramente perseguindo o garoto
Parecia uma sacanagem inofensiva.
Oh, mas nós libertamos um leão
Que rangeu os dentes e mordeu os seios da menina na hora do intervalo, como eu poderia esquecer?

E depois me acertou com um soco de esquerda de surpresa
Meu maxilar ficou machucado, oh, deslocado e aberto
Assim como no dia
Oh, como o dia em que ouvi...

O cantor se coloca, nessas últimas estrofes, como o valentão que perseguia o garoto, e de tanto importunar o garoto, despertou o leão que havia nele.

E é exatamente assim que as histórias que a gente vê acontecer na vida real, se parecem.

Abaixo, foto do jornal com a notícia. Lembrando que o clipe também é excelente, e trás no início alguns efeitos com notícias sobre bullying seguidos de suicídios e matanças nas escolas da América do Norte.

E aí? Quer escutar a música, ver o clipe? Clica aqui!


Fontes:
https://www.comunidadeculturaearte.com

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Análise pessoal - Codinome Beija-Flor

Eu escolhi começar o blog com uma das mais belas músicas do lindíssimo Agenor Neto, mais conhecido como Cazuza, pois sempre ouço amigos dizendo não entendê-la, principalmente em frases como "orelha fria", "segredos de liquidificador", ou seja... QUE PORRA É ESSA?

E se eu GARANTIR que tem sentido sim e que não é nada cult que te fará ter de estudar psicanálise pra entender? Quer ver só? Vem comigo!!!

Vale lembrar que não passa de uma interpretação pessoal, ok?

O tema central da música é relacionamento. Eu entendo que é um relacionamento que ainda não acabou, ou seja, está no caminho, naquela fase final, onde é difícil desapegar, pois ainda há amor de um dos lados, que no caso, é o lado de quem está cantando:

Pra que mentir
Fingir que perdoou?
Tentar ficar amigos sem rancor...
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

No primeiro trecho fica evidente que o compositor não quer mais fingir que tudo ficará bem após o término. Talvez por experiências passadas, neste mesmo relacionamento, ele saiba que não funcionará tentar ser amigos, até porque nem sente mais aquela emoção da reconciliação, nem mesmo a música ou "trilha sonora" do casal soa da mesma forma. (Sabe quando pegamos raiva de certa música por causa de alguém? Então... é por aí.)

Bom, na próxima estrofe iremos entender o motivo pelo qual, entre tantos animais, escolheu-se o "beija-flor" para representar a pessoa a quem o cantor se refere.

Conforme muito bem observado pela autora do blog interpretaçãopessoal, o beija-flor é um animal poligâmico, que tem como 90% da sua alimentação o néctar das flores. Ele suga o mel de todas as flores que encontra, sem distinção ou preferência. Vale lembrar, ainda, que não é um animal domesticável. Então a seguir, o compositor mostra que a pessoa amada até tenta disfarçar suas terceiras intenções com muita educação, enquanto flerta com outros.

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções?
Desperdiçando o meu mel
Devagarinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

O compositor, em sua próxima estrofe, diz que protege o verdadeiro nome da pessoa, por amor, nos fazendo acreditar que o erro cometido por esta pessoa é grave a ponto de prejudicá-la ou menosprezá-la caso alguém venha a ter conhecimento do verdadeiro nome.

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor (nunca)
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Tá, então porque ele escolheu como codinome o animal "beija-flor"? Seria essa pessoa infiel (já que mencionamos se tratar de uma espécie poligâmica, ou seja, que não tem somente um parceiro e sim vários)... mas, pensando bem, a infidelidade conjugal não iria manchar tanto assim a imagem de alguém. Talvez seja algo mais grave que isso. Fazendo com que a gente pense que esta pessoa esteja envolvida com a prostituição: "pra qualquer um na rua, beija-flor".

Desta forma, o nome da pessoa é protegido em um codinome, pois, caso alguém soubesse disso (sobre a prostituição), ela sairia prejudicada. Na quarta estrofe, o compositor demonstra que desconhecia a atitude da pessoa, e imaginava tê-la apenas para si, mas não era bem assim:

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Bem, sobre o "segredos de liquidificador" eu achei interessante a análise da blogueira Mary (marymiranda-fatosdefato.blogspot.com) que diz que na época que a Globo realizava uns "corujões" de filmes antigos, havia um filme onde o personagem, ao contar um segredo para a namorada, pediu à moça que ligasse o liquidificador para que o barulho alto atrapalhasse a audição de quem quisesse tentar ouvir o que diziam. Como Cazuza era cinéfilo, a blogueira acredita que ele tenha assistido à esse filme. De fato, contar segredos em lugares silenciosos demais pode ser perigoso.

Mas o que de fato importa nesta estrofe acima, é que o compositor demonstra que acreditava que a pessoa amada pertencia somente à ele, e que ela ouvia somente aos seus segredos e planos. Era a sua confidente. Mas, não era bem assim. Ela era confidente de várias pessoas.

Na última estrofe, eu entendo que o compositor demonstra sentir a tristeza que é viver às custas da prostituição, demonstrando compaixão à pessoa amada.

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

O bom do amor, no caso, talvez seja o fato de fazer amor, mesmo que com um desconhecido, era a parte boa que poderia se tirar de uma vida vazia e promíscua.

Vamos escutar essa obra de arte? Clica aqui!

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Espero que tenham gostado da análise. E você? O que entende desta letra? Comenta aí!
Lembrando que a interpretação cabe à cada um.

Esta análise foi feita através de pesquisas e será deixado abaixo o link das fontes que me ajudaram a entender melhor e/ou confirmar pensamentos que já pairavam nas minhas noites mal dormidas.

Fontes:
marymiranda-fatosdefato.blogspot.com
interpretacaopessoal.blogspot.com


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

those who left you

Nunca se esqueça de quem te deu as costas quando vc mais precisou. Se a pessoa voltar precisando de vc, será sua chance de mostrar como se faz: estendendo a mão. 🕊

domingo, 29 de julho de 2018

Amor Líquido

Texto de Luciana Chardelli

O amor é mais falado do que vivido.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.
O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.
Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.
Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.
O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. Zygmunt Bauman

segunda-feira, 11 de junho de 2018

sexualização

Eu fico triste por essa molecada que quer tanto se sexualizar.

De modo geral, isso começa nos famosos mirins até atingir os pequenos ao nosso redor que acabam sendo influenciados. Eu brinquei de boneca até meus 14 anos (aos 15 eu brincava escondida com vergonha de alguém ver) e me arrependo muito pq acho que devia ter ido além.

Aos 13 eu estava de tererê no cabelo de playmobil, correndo pela escola pra brincar de pega-pega, contando as horas pra vir pra casa brincar na rua e, até onde eu me lembro, havia poucas garotas pagando de mulheres e os meninos em sua grande maioria eram bem infantis.

Hoje já sinto diferente, qualquer escola que eu passe em frente só vejo a galera querendo ser muito adulta antes da hora e apelar sempre pra esse lado sexual.

Olha, se minha geração já é bem complicadinha, a que está por vir, nem imagino como será. São pessoas que precisam a todo momento provar algo para os outros e não pra si, através de fotos duvidosas e comportamentos desnecessários. Não conseguem achar graça nas coisas simples, precisam de status e gostam de competir a todo momento. Colocam botox aos 20. Aparentam ter 30 aos 18. Não aceitarão a velhice...então no que será que isso vai dar? Suicídio e depressão estão aí.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

toda hora

Não dá pra gostar das pessoas o tempo todo. Mas eu consigo amar suas peculiaridades a todo momento. Veja, nem sempre eu estava pronta para ouvir as mesmas histórias que minha vó costumava contar. Eu já sabia sobre o que e quem ela ia falar, o porquê ela queria falar e o final também, ou seja, era como ouvir uma musica repetidas vezes, e pior, uma música que eu estava cansada de ouvir. Mas por outro lado, enquanto ela falava do seu grande amor, o cheiro de talco de flores, que ela sempre usava, exalava sala adentro, e aquilo somava-se aos seus olhinhos que lacrimejavam e pareciam estar vendo uma outra realidade, provavelmente aquela que estava sendo contada. Esses dois pequenos detalhes abstratos eram o suficiente para que eu tivesse paciência para escutar a mesma história toda semana ou, até mesmo, todos os dias. E hoje, ainda que ela não esteja mais por aqui, entre nós, eu nem preciso ir a alguma perfumaria procurar pelo talco “Alma de Flores”, tampouco preciso fechar os olhos para lembrar, pois o cheiro e o olhar permanecem pregados na minha memória, e isso é para sempre.

Talvez seja isso* que nos mantenha ao lado das pessoas, e por outro lado, a falta disso nos afaste delas: atenção aos detalhes*. A convivência nem sempre é fácil mas todos temos algo especial, que não se pode tocar, às vezes, nem enxergar, apenas sentir, e pode não parecer grandioso aos olhos de todos, mas será pra alguém, com toda certeza. E sigo assim, apaixonando-me por pequenos jeitos de ser e não somente pelo ser. 🌸

domingo, 9 de julho de 2017

"te amo"


Eu te amo... mas no momento não posso assumir nada. Você entende, não é? Acabo de sair de um relacionamento, preciso espairecer um pouco. Te pego amanhã à noite. E ah, eu te amo, ok?


Eu te amo... mas ontem foi difícil resistir, eu bebi demais naquele bar e o rapaz era bonito, foi só um beijo, eu juro! Sem contar que a gente andava meio distantes, né? Mas eu te amo, viu?

Eu te amo... mas foi só um tapa porque ontem eu estava irritado. Sim, eu sei que foi desrespeitoso. Mas eu te amo.

Eu te amo... mas seus filhos, não sei... Não estou preparado para assumir alguém com filhos. Tem a minha família que não aceitaria bem eu acho. Mas eu te amo. Não esquece.

Eu te amo... sim, eu te xinguei de put@ porque estava com muito ciúmes daquela sua roupa de ontem, e você sabe o quanto sou louco por você. Mas eu te amo, tá?

Eu te amo... mas está chovendo hoje, nos vemos outro dia. Sim, eu sei que você viria aqui, mas também seria ruim, você vai se molhar... Mas eu te amo.

Eu te amo... mas só depois, só mais tarde, amanhã, nunca.



Eu te amo... mas no fundo eu nem sei o que é isso. Mas me disseram: corra o risco! 
E na tentativa, eu que amei todo mundo no fundo nunca soube amar ninguém que não à mim; atirei para todos os lados, cavei até o fim!
Talvez eu precise ter alguém para sanar minhas carências e explorar os meus conceitos sobre o que é amar - já que para mim isso é algo tão simples quanto nadar.
E assim eu sigo, nadando nos corações sombrios e colecionando aqueles sorrisos - que um dia acreditaram nas minhas promessas, vindas de um coração vazio.